os sons que vem de fora

11 de out. de 2020


a geladeira costuma fazer um barulho, mas só percebo que ela faz muito barulho quando ela para de fazer barulho e então paira um silêncio. ouço a respiração da adele baixinho, dormindo, e nego-me a juntar nesse embalo, pra escrever, mesmo sabendo que daqui algumas horas ela irá me acordar para fazer nossa caminhada matinal. nos sábados, nos domingos. sem folga. se eu ficar bem quietinho consigo ouvir o barulho das árvores que chegam perto da janela, tem ventado muito ultimamente. novos ventos, novos ares. ventania tem essa poesia no nome: de levar e trazer - isso vale quase para tudo, para cheiros de amores de um dia, do perfume que vó costumava usar, do suspiro ao sentir a brisa beijando o rosto quando o mundo está se derretendo em suor.


há grilos no meio da cidade, a gente que não vê, porque estamos no celular. mas a noite, no silêncio da pra ouvir, além das cigarras que indicam que a chuva está próxima. ah, barulho de chuva que amedronta, mas também deixa o conforto no coração do frio, de poder ficar até um pouco mais na cama. adele ainda não entende que quando está chovendo, fica complicado da gente descer, ela não entende ainda que chuva é sinônimo de água que é sinônimo de ficar molhada. 

a gente vai levando entre esses barulhos, aquisições e aprendizados.

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  1. Eu amei demais a participação da Adele nesse texto maravilhoso.
    Pessoinhas que amo,você é talentosíssimo demaiiiiis

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  2. quase deu pra ouvir o barulhinho da chuva enquanto lia ♥ e bom poder desacelerar nas pausas da geladeira!

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