A escrita e a vida digital

20 de jun. de 2020

Estou enferrujado e isso está bem claro para mim, faz algum tempo que não paro para escrever e pensar no que escrever. Esse é um texto de palavras que estão vindo, por vir, para tentar permitir a criatividade e a inspiração.

Eu lembro que tinha mais facilidade de escrever as coisas, de levar a vida com um lado mais poético e positivista. Escrever era comum, expor os sentimentos eram comuns. Dentre a facilidade do acesso a informação, de tantas outras personalidades no instagram, de vídeos engraçados, feeds infinitos, notícias urgentes, me perdi. E acho que não é apenas comigo, a gente tem se perdido no meio de tudo isso, na correria de um tweet, nas mensagens compartilhadas no chat dos amigos.

A voz que costuma ter opinião ficou mais quieta, dizem que quando músculos quando não utilizados acabam atrofiando - deve acontecer o mesmo com pessoas que não falam faz tempo, a voz deve sair meio roca, não deve ser fácil. Não está sendo fácil se reposicionar no meio de tudo isso, filtrar e incluir nós mesmo dentro de todo esse contexto midiático. O sentimento verídico, se não estiver dentro do tema atual, não é relevante. O amor se não for no dia dos namorados parece não estar tão triunfado, como o dia das mães, dos pais. A vida ganhou um novo dilema que é ser postado, documentado em segundos que nunca iremos lembrar, porque estamos inseridos demais dentro da superficialidade.

É sobre isso, que a escrita tem se tornado difícil (e também uma das coisas mais recomendas pelos psicólogos): perdemos o ativismo e nos tornamos apenas consumidores de outros "criadores de conteúdo", de joguinhos viciantes no celular. O surto vem. O surto sempre vem porque no momento em que bloqueamos o nosso próprio eu, a nossa voz, em que deixamos nossos gostos, vontades, porque é comodo ficar no sofá arrastando o celular. Acredito que isso tenha muito relação com concepções básica do nosso corpo quando algo está inflamado a febre vem, quando a cabeça não está bem o surto vem.

O surto, assim como a febre, é um sinal. Sinal para desintoxicar, respirar. Talvez vir aqui sentar e escrever, colocar umas palavras para fora. A vida tem sido pesada demais para levar no automático - e na verdade, tem sido um pouco sem graça as conversas começarem com "você viu o que tal pessoa postou" ou "olha isso...". Eu não lembro com as pessoas se relacionavam, sobre o que conversavam, sobre o que escreviam.

Oi mundo

11 de jun. de 2020
Depois de alguns muitos anos afastado da blogosfera, depois de vários questionamentos internos, de diversas tentativas no último ano, depois de achar que tinha decaído por vez com a popularização do instagram: voltei. Lembro de alguns anos me afastei do blog que seguia um foco literário e parcerias com editoras - porque eu já não lia mais tantos livros como antes  e passei a consumir arte de formas diferente, através da fotografia, de filmes e séries, através de outros pontos de vista.



Descobri e aprendi sobre minimalismo, relacionamentos, consumismo, veganismo e algumas outras diversas coisas que eu não sabia que gostava porque eu nunca tinha parado para dedicar a energia, como cuidar de plantas - e é sobre isso que quero falar nessa nova etapa, sobre minhas experiências e tentativas.

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Então criei esse canto, na verdade, repaginei esse blog - porque eu queria manter todo o histórico desde 2012, quando entrei no mundo dos blogs, em breve vocês conseguiram ver tudo (pois fazendo aquele limpa). O nome mudou, porque toda vez que entrava nesse site e o nome era igormedeiroz.com, nunca me parecia ser um blog, não aqueles blogs que a gente costumava ler. Então veio o Histórico infame, uma sátira a vida, por acreditar que histórico ou história possa vir ser relevante se você olhar da maneira certa, se você tentar tirar o proveito ao máximo.

Algumas coisas do layout vão mudando aos pouquinhos porque gosto de fazer minhas próprias coisas, eu lembro que tinha comprado um layout muito incrível, mas ele nunca me trouxe a personalidade que eu esperava. Então não se assustem se um dia as cores, fontes ou tudo mudarem de repente, são só reflexos do que muda aqui dentro.


Valpo, Viña del Mar & Concón (Chile)

2 de jun. de 2020
Mês passado fez um ano que desembarquei em terreno chileno, foi a minha primeira viagem pro exterior - decidida da noite pro dia e da qual guardo com muito carinho cada momentinho. A nossa primeira parada no Chile foi Valparaíso e depois tiramos alguns dias para visitar Vinã del Mar e Concón.

Valparaíso me lembra muito do Rio, acho pela forma como é construído: é uma cidade histórica bem próxima do mar, construída em cima de cerros (colinas), com ruas bastante íngremes e escadas quilométricas. Como é uma cidade tombada, existem muitos prédios velhos e também muita história acumulada em cada pontinho. É um lugar extremamente colorido, com suas exuberância e diversidade que tornam esse lugar único.


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Eu tentei não granular todas as fotos dessa viagem, mas estou muito apaixonada por esse efeito retrô - ainda mais nas fotos de pôr-do-sol. O registro abaixo foi feito em Vinã e acredito que esse é o ponto alto da cidade, porque ela é bem normal quando você passa por Valpo. É uma cidade arrumadinha, com prédios espelhados, brancos ou cinzas, não senti muita necessidade em tirar fotos de lá. Porém, aqui eu comi o melhor sushi com abacate da vida, nunca vou me esquece (não tirei fotos, eu quase não tiro fotos de comida ????)


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Eu tentei não granular, mas granulei sim. Ninguém manda em mim. Concón fica bem perto de Vinã e então no outro dia fomos aproveitar para conhecer las dunas de Concón, que são incrivelmente frias no topo, porém delicioso para fazer um lanchinho, conversar e apreciar o mundo. Guardando essa vista no coração, o melhor das dunas foi descer e o pior foi os sapatos cheios de areia. Valeu a pena.


Várias fotos seguidas antes de se despedir de Valpo:


Prometo não demorar mais um ano para postar a terceira parte da viagem, que é Santiago.

Pirenópolis (Goiás)

9 de abr. de 2020
Se não me engano, existem três listas de metas anuais que uma das coisas era conhecer Pirenópolis.Três anos consecutivos colocando como meta, mas se tornou realidade apenas esse ano, sem muito planejamento. O que é bem estranho, porque Piri fica do lado de Brasília, não precisava de muito esforço, apenas de um carro e uma companhia.

Andar por Piri me lembrou as ruelas do interior de quando eu ia pro Maranhão, é aquela típica cidade voltada pro turismo e com a vibe handmade, onde artista vive, onde produzem geleias artesanais, pedrarias e feirinhas de artesanato e comida.

Não é o lugar mais épico, mas é um bom refúgio para quem mora em cidade grande, ali tem uma calmaria e um contato constante com a natureza, desde que você permita desligar o celular e gravar os momentos na mente.



Nas nossas viagens sempre tentamos procurar algo diferente e característico de cada lugar e acho que um dos nossos lugares favoritos de toda essa mini-viagem foi o Bistrô Maria Docéu, um lugar cheio de amor, uma comida impecável de boa, um atendimento afetuoso. Recomendo mil e uma vezes, pela comida, pelas pessoas. As meninas do bistrô foram super fofas e ainda deram um scoby (o ingrediente “mãe” da kombucha) para a gente.

Além disso provamos cerveja de hibisco, que se tornou a minha favorita.


Não vejo a hora de voltar, qualquer dia desses.

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