sons

11 de out. de 2020


a geladeira costuma fazer um barulho, mas só percebo que ela faz muito barulho quando ela para de fazer barulho e então paira um silêncio. ouço a respiração da adele baixinho, dormindo, e nego-me a juntar nesse embalo, pra escrever, mesmo sabendo que daqui algumas horas ela irá me acordar para fazer nossa caminhada matinal. nos sábados, nos domingos. sem folga. se eu ficar bem quietinho consigo ouvir o barulho das árvores que chegam perto da janela, tem ventado muito ultimamente. novos ventos, novos ares. ventania tem essa poesia no nome: de levar e trazer - isso vale quase para tudo, para cheiros de amores de um dia, do perfume que vó costumava usar, do suspiro ao sentir a brisa beijando o rosto quando o mundo está se derretendo em suor.


há grilos no meio da cidade, a gente que não vê, porque estamos no celular. mas a noite, no silêncio da pra ouvir, além das cigarras que indicam que a chuva está próxima. ah, barulho de chuva que amedronta, mas também deixa o conforto no coração do frio, de poder ficar até um pouco mais na cama. adele ainda não entende que quando está chovendo, fica complicado da gente descer, ela não entende ainda que chuva é sinônimo de água que é sinônimo de ficar molhada. 

a gente vai levando entre esses barulhos, aquisições e aprendizados.

quem foi de outrora

5 de out. de 2020

 já faz algum tempo que não escrevo.




há dias uma vontade de sentar, escrever e deixar desaguar as tantas coisas que tem acontecido nos últimos dias: se acostumar com a nova rotina, as dores no corpo de caminhadas constantes que permitem pensar & repensar na vida. a vida que já trouxe tanta reviravolta e surpresas e loucuras. o passado que tende a voltar pro presente (com boas surpresas), rever amigos da época de escola, de outro trabalho, da faculdade. o presente de ter amigos pra vida toda e que independente do quanto ficar sem conversar a essência da amizade está ali. 

tantos acontecendo e eu aqui, olhando para quem fui antes de ser hoje, revisitando alguns acontecimentos que permitiram solidificar quem sou - uma personalidade vinda de tantas outras experiências e matrizes e recortes. eu acho engraçado que quando 2020 entrou eu sabia que seria um ano transformador, que algumas coisas poderiam (e iriam) mudar, que novas metas seriam traçadas, que novos âmbitos e desejos seriam feitos ao percorrer - ainda que eu não soubesse da pausa que a quarentena causou (e ainda causa em alguns aspectos).

pausa. 

eu precisava dessa pausa pra entender perspectivas que não levavam a muitos lugares, entender os limites e os fins. para poder contemplar os inícios, recomeços e aventuras. tem sido (e será) diferente. 


Há vida pra você - especial setembro amarelo

1 de set. de 2020
"A cada 45 minutos uma brasileiro tira a própria vida, a cada dia morrem 32 por suicídio". Com esse número já deveríamos estar atentos, ainda mais que este atinge em grande parte os jovens. A maioria desses tem vergonha de falar sobre saúde mental, depressão e ansiedade. Esse é o tipo de conversa que se ignora facilmente por acharem que é "frescura". Nós como amigos, próximos e pais, devemos olhar com cuidado os sinais e compreender o que pode estar acontecendo; claro que podemos ajudar conversando e mostrando a importância que a vida tem, mas devemos também naturalizar o processo da ajuda profissional.
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Há alguns anos perdi um amigo para o suicídio e por mais que tenha dado as dicas, não consegui enxergar o que se passava ali. Só a partir desse momento descobri a importância de cuidar do que é nosso, da única coisa que carregamos para todos os lados e ninguém pode tirar: nossa cabeça, mente e saúde mental. E comecei a cuidar da mente e dos pensamentos primeiramente com textos na internet e depois procurar ajuda profissional.
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O estigma de procurar ajuda profissional é muito grande e no começo até mesmo tive vergonha de falar que estava fazendo esse tipo de tratamento, ninguém próximo sabia que eu estava frequentando o psicólogo. Depois de um tempo os resultados das idas a psicóloga começaram a me fazer bem e percebi a necessidade de tornar isso natural e normal. Somos bombardeados com milhares de informações todos os dias, vivemos dentro de um conceito que demoramos muito a ser aceitos e somos pressionados de todos os lados como namoro, família, trabalho, faculdade. E tá tudo bem procurar ajudar nesses momentos, faz bem para alma descarregar um pouco do que o mundo descarrega em cima dos nossos ombros.
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Só quem já passou pelo escuro da depressão, pânico, pelo vazio da ansiedade e os pensamentos de morte sabe o quão doloroso é passar por isso e ter que lidar com tudo. "Qual o sentido de viver?". "Ninguém vai sentir minha falta mesmo". "Alguém se importa comigo?". "Ninguém me aceita como eu sou". Há momentos em que paremos sozinhos, mas gostaria de falar que você não está sozinho e que, sim, há vida para você e ela importa ♡ #setembroamarelo #cvv

aqui está meu despejo

4 de ago. de 2020
Por mais que eu assista milhares de vídeos de organização e produtividade - meu tipo de vídeo favorito - as coisas não tem sido, nem tenho tentado me estimular a ser organizado. Os dias se resumem a parar de trabalhar para cozinhar ou parar de trabalhar para assistir uma nova série (ou finalizar, como tenho feito). Os primeiros dias da quarentena iniciaram de uma forma tranquila, mas faz alguns dias (quatro meses depois) que não sinto muita vontade - vários artistas lançaram músicas novas e elas não me parecem tão boas como antes - o problema não são eles, acho que só estou exausto demais para apreciar os pequenos detalhes.

Em meio a pandemia, organizando diversas coisas da mudança pro novo apartamento & descobrindo o quanto odeio imobiliárias. Me agarrando ao máximo ao novo cantinho, que é o que me deixa animado. Queria que os dias tivessem diferentes, queria ver gente, abraçar pessoas, tomar um sorvete no parque. A vida perdeu um pouco do brilho e logo eu que costumava ser o mais positivo de todos os amigos não estou conseguindo.

Uma mistura de medo & empolgação

9 de jul. de 2020

Palavras que não aguento mais

26 de jun. de 2020
Acho que consumi muito a internet nos últimos, todos nós. Algumas palavras entraram goela abaixo, se tornaram repetidas e repetitivas. Foi se criando uma asco só de ouvir, de falar, de ler.

influenciador / pandemia / engordar / blogueira / conteúdo / bolsonaro / novo normal / mindset / mentoria / coach

A escrita e a vida digital

20 de jun. de 2020

Estou enferrujado e isso está bem claro para mim, faz algum tempo que não paro para escrever e pensar no que escrever. Esse é um texto de palavras que estão vindo, por vir, para tentar permitir a criatividade e a inspiração.

Eu lembro que tinha mais facilidade de escrever as coisas, de levar a vida com um lado mais poético e positivista. Escrever era comum, expor os sentimentos eram comuns. Dentre a facilidade do acesso a informação, de tantas outras personalidades no instagram, de vídeos engraçados, feeds infinitos, notícias urgentes, me perdi. E acho que não é apenas comigo, a gente tem se perdido no meio de tudo isso, na correria de um tweet, nas mensagens compartilhadas no chat dos amigos.

A voz que costuma ter opinião ficou mais quieta, dizem que quando músculos quando não utilizados acabam atrofiando - deve acontecer o mesmo com pessoas que não falam faz tempo, a voz deve sair meio roca, não deve ser fácil. Não está sendo fácil se reposicionar no meio de tudo isso, filtrar e incluir nós mesmo dentro de todo esse contexto midiático. O sentimento verídico, se não estiver dentro do tema atual, não é relevante. O amor se não for no dia dos namorados parece não estar tão triunfado, como o dia das mães, dos pais. A vida ganhou um novo dilema que é ser postado, documentado em segundos que nunca iremos lembrar, porque estamos inseridos demais dentro da superficialidade.

É sobre isso, que a escrita tem se tornado difícil (e também uma das coisas mais recomendas pelos psicólogos): perdemos o ativismo e nos tornamos apenas consumidores de outros "criadores de conteúdo", de joguinhos viciantes no celular. O surto vem. O surto sempre vem porque no momento em que bloqueamos o nosso próprio eu, a nossa voz, em que deixamos nossos gostos, vontades, porque é comodo ficar no sofá arrastando o celular. Acredito que isso tenha muito relação com concepções básica do nosso corpo quando algo está inflamado a febre vem, quando a cabeça não está bem o surto vem.

O surto, assim como a febre, é um sinal. Sinal para desintoxicar, respirar. Talvez vir aqui sentar e escrever, colocar umas palavras para fora. A vida tem sido pesada demais para levar no automático - e na verdade, tem sido um pouco sem graça as conversas começarem com "você viu o que tal pessoa postou" ou "olha isso...". Eu não lembro com as pessoas se relacionavam, sobre o que conversavam, sobre o que escreviam.

Oi mundo

11 de jun. de 2020
Depois de alguns muitos anos afastado da blogosfera, depois de vários questionamentos internos, de diversas tentativas no último ano, depois de achar que tinha decaído por vez com a popularização do instagram: voltei. Lembro de alguns anos me afastei do blog que seguia um foco literário e parcerias com editoras - porque eu já não lia mais tantos livros como antes  e passei a consumir arte de formas diferente, através da fotografia, de filmes e séries, através de outros pontos de vista.



Descobri e aprendi sobre minimalismo, relacionamentos, consumismo, veganismo e algumas outras diversas coisas que eu não sabia que gostava porque eu nunca tinha parado para dedicar a energia, como cuidar de plantas - e é sobre isso que quero falar nessa nova etapa, sobre minhas experiências e tentativas.

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Então criei esse canto, na verdade, repaginei esse blog - porque eu queria manter todo o histórico desde 2012, quando entrei no mundo dos blogs, em breve vocês conseguiram ver tudo (pois fazendo aquele limpa). O nome mudou, porque toda vez que entrava nesse site e o nome era igormedeiroz.com, nunca me parecia ser um blog, não aqueles blogs que a gente costumava ler. Então veio o Histórico infame, uma sátira a vida, por acreditar que histórico ou história possa vir ser relevante se você olhar da maneira certa, se você tentar tirar o proveito ao máximo.

Algumas coisas do layout vão mudando aos pouquinhos porque gosto de fazer minhas próprias coisas, eu lembro que tinha comprado um layout muito incrível, mas ele nunca me trouxe a personalidade que eu esperava. Então não se assustem se um dia as cores, fontes ou tudo mudarem de repente, são só reflexos do que muda aqui dentro.


Valpo, Viña del Mar & Concón (Chile)

2 de jun. de 2020
Mês passado fez um ano que desembarquei em terreno chileno, foi a minha primeira viagem pro exterior - decidida da noite pro dia e da qual guardo com muito carinho cada momentinho. A nossa primeira parada no Chile foi Valparaíso e depois tiramos alguns dias para visitar Vinã del Mar e Concón.

Valparaíso me lembra muito do Rio, acho pela forma como é construído: é uma cidade histórica bem próxima do mar, construída em cima de cerros (colinas), com ruas bastante íngremes e escadas quilométricas. Como é uma cidade tombada, existem muitos prédios velhos e também muita história acumulada em cada pontinho. É um lugar extremamente colorido, com suas exuberância e diversidade que tornam esse lugar único.


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Eu tentei não granular todas as fotos dessa viagem, mas estou muito apaixonada por esse efeito retrô - ainda mais nas fotos de pôr-do-sol. O registro abaixo foi feito em Vinã e acredito que esse é o ponto alto da cidade, porque ela é bem normal quando você passa por Valpo. É uma cidade arrumadinha, com prédios espelhados, brancos ou cinzas, não senti muita necessidade em tirar fotos de lá. Porém, aqui eu comi o melhor sushi com abacate da vida, nunca vou me esquece (não tirei fotos, eu quase não tiro fotos de comida ????)


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Eu tentei não granular, mas granulei sim. Ninguém manda em mim. Concón fica bem perto de Vinã e então no outro dia fomos aproveitar para conhecer las dunas de Concón, que são incrivelmente frias no topo, porém delicioso para fazer um lanchinho, conversar e apreciar o mundo. Guardando essa vista no coração, o melhor das dunas foi descer e o pior foi os sapatos cheios de areia. Valeu a pena.


Várias fotos seguidas antes de se despedir de Valpo:


Prometo não demorar mais um ano para postar a terceira parte da viagem, que é Santiago.

Pirenópolis (Goiás)

9 de abr. de 2020
Se não me engano, existem três listas de metas anuais que uma das coisas era conhecer Pirenópolis.Três anos consecutivos colocando como meta, mas se tornou realidade apenas esse ano, sem muito planejamento. O que é bem estranho, porque Piri fica do lado de Brasília, não precisava de muito esforço, apenas de um carro e uma companhia.

Andar por Piri me lembrou as ruelas do interior de quando eu ia pro Maranhão, é aquela típica cidade voltada pro turismo e com a vibe handmade, onde artista vive, onde produzem geleias artesanais, pedrarias e feirinhas de artesanato e comida.

Não é o lugar mais épico, mas é um bom refúgio para quem mora em cidade grande, ali tem uma calmaria e um contato constante com a natureza, desde que você permita desligar o celular e gravar os momentos na mente.



Nas nossas viagens sempre tentamos procurar algo diferente e característico de cada lugar e acho que um dos nossos lugares favoritos de toda essa mini-viagem foi o Bistrô Maria Docéu, um lugar cheio de amor, uma comida impecável de boa, um atendimento afetuoso. Recomendo mil e uma vezes, pela comida, pelas pessoas. As meninas do bistrô foram super fofas e ainda deram um scoby (o ingrediente “mãe” da kombucha) para a gente.

Além disso provamos cerveja de hibisco, que se tornou a minha favorita.


Não vejo a hora de voltar, qualquer dia desses.

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